Apropriação Indébita
Sempre que encontro alguns irmãos, relembram com certa nostalgia as comitivas e visitas que fazíamos às Lojas quando ocupava o Grão-mestrado. Sem formalizar qualquer crítica ou estabelecer polêmicas, informo que cada Grão Mestre tem a sua forma de agir. O atual prefere, em razão de tempo, viajar no seu automóvel particular, Eu preferia “sofrer” numa VAN, acompanhado de vários irmãos, onde se demorava um pouco, mas diversão era constante. Era um eterno bate e volta, isto é, indo e voltando na mesma noite, sem importar a distancia percorrida, o que proporcionava o nosso retorno, na maioria das vezes, com o dia clareando.

As comitivas eram compostas de vários irmãos disponíveis no dia, mas tinha umas figuras carimbadas que eram presenças constantes: O Grillo com seu assunto interminável, o Lecy com a sua cantoria e histórias, que jurava de pé junto, serem verdadeiras, o Messias com o “cafezinho” amargo e doce, e o Juvenal com suas freadas bruscas, que sobressaltava a todos quando inventava dirigir.

Na semana passada para matar a saudade e atendendo aos inúmeros pedidos, fizemos uma comitiva com destino a Água Doce do Norte. O objetivo da viagem era participar de uma Seção Magna de Iniciação na Fraternidade do Universo nº 2831, Loja que represento com muito orgulho na PAEL. A viagem além reviver os bons tempos, me fez recordar um episódio que seria trágico se não fosse cômico.

No ano de 2010, Recebemos um convite da ARLS Antonio Firmino Demuner, do Oriente do Rio Bananal, para participar de uma Seção Magna de Iniciação. Mais uma vez o Secretário de Transporte providenciou o necessário para que fosse formada a Comitiva, o que não foi difícil, pois os irmãos daquela Loja são bastante receptivos e o Departamento feminino é um dos mais animados do Estado.

Como já estávamos no final do ano, aproximava a data para eleição do meu sucessor. Eu já tinha decidido que não iria concorrer, e como sempre a campanha eleitoral estava bastante acirrada e polarizada entre dois ferrenhos candidatos. Estando a comitiva formada, formulei o convite a um dos candidatos para nos acompanhar, dando-lhe assim, a oportunidade de apresentar o seu projeto de administração, além de ter um contato amiúde com os irmãos da loja e das redondezas. Convite aceito, o candidato apresentou-se no local e horário combinado, trazendo consigo, com muito cuidado e zelo, uma caixa de bombons. Ao ser indagado sobre o destino dos bombons, respondeu que era um mimo paras as cunhadas.

- Mas as cunhadas não votam. Dissera-lhe jocosamente alguém.

- Mas influenciam o voto do Marido. Respondeu prontamente.

A viagem transcorreu normalmente. Ao chegar a Rio Bananal, todos se preparavam para descer da VAN com seus pertences e alfaias. Foi quando o candidato notou a falta da caixa de bombons.

- Quem viu minha caixa de bombons? Indagou ele.

Reinou silencio profundo em todos os assentos.

Procura aqui, procura ali, olha debaixo dos bancos, no porta-malas e nada de achar. Começaram então os olhares inquiridores e desconfiados, bem como as acusações silenciosas. Será que foi fulano ou foi beltrano? Ninguém assumiu a culpa.

- Como pode isto acontecer? Indagava o candidato perplexo.

- Só tem maçons... Não é possível que aqui no nosso meio tenha alguém de maus costumes.

Depois de muito procurar e já convencido que sua guloseima tinha sido extraviada, desistiu meio aborrecido e conformado que, naquela noite, o trabalho que seria feito junto as cunhadas, fora prejudicado, pois elas não iriam receber o incentivo para influenciar os maridos.

Realmente o episódio jamais poderia ter acontecido, foi uma marca negativa nas nossas comitivas. Até hoje eu não sei quem foi o culpado. As suspeitas caíram sobre dois irmãos, um do Poder Judiciário e o outro do Legislativo. Eu não sei se foi um, ou se foi o outro, ou ainda se foram ambos em comum acordo. Eu só sei que na parada em Ibiraçu, eu ganhei sem saber a origem, dois bombons “sonho de valsa”.

E mais não digo, por que não me foi perguntado.

Por: Cecílio Andrade de Oliveira

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