Epitáfio para um amigo
A noticia foi lacônica e cruel.

“ROBERTO FALECEU”

Aquela frase explodiu nos meus ouvidos como se fosse uma bomba. O seu efeito foi devastador, comparável a um daqueles carros guiado por um muçulmano maluco e suicida.

Como? Por quê? Quando? As perguntas fluíram rapidamente.

Foi há aproximadamente 10 dias. Teve 03 enfartes na mesma noite e no terceiro não conseguiu sobreviver, mesmo tendo todo o atendimento médico. Disse-me alguém. E concluindo asseverou: Morreu com altivez e dignidade.

Bolas! Pensei, como é que alguém morre com altivez e dignidade. Mas pensando melhor e lembrando quem se tratava, aceitei. Somente ele poderia partir com altivez e dignidade, tal e qual passara por esta vida.

Conheci Roberto não fazia muito tempo, mas desde que o vi pela primeira vez, percebi que ele tinha algo de excepcional, não sabia o quê, mas era especial.

Companheiro leal e amigo de todas as horas, principalmente nas madrugadas da vida e principalmente nas serestas, onde sempre se fazia presente e jamais ofendera alguém.

Às vezes se dava o luxo de ensaiar um cochilo ou outro, mas logo se refazia e ficava firme, dando-nos a devida atenção. Quando admoestado a dormir, titubeava, mas insistia e permanecia ao nosso lado.

Posso afirmar com toda certeza que nunca ingeriu bebida alcoólica e também nunca teve nenhum outro vício, apesar de todos os incentivos da mídia e da apologia do Deputado Fernando Gabeira. Entretanto, o que não conseguia recusar e o fazia com a delicadeza de um lorde inglês, eram os petiscos constantemente servidos.

Quando o assunto ficava monótono, ele, simplesmente não fazia nenhum comentário, apenas sorria. E o seu sorriso enigmático, era para nós, uma injeção de ânimo a impulsionar o nosso papo para algo mais produtivo.

Gostaria de ter ajudado a levá-lo à sua ultima morada. Gostaria de externar todo o meu sentimento pelo desaparecimento de tão nobre e fiel amigo, mas não fui avisado a tempo. Pelo menos, usarei como subterfúgio, o consolo que não terei registrado na memória a imagem mórbida de sua magnífica figura, colocada inerte no sepulcro. Afinal, é pra lá que todos caminhamos.

Estava perdido nas minhas reminiscências, quando percebi que também não tive oportunidade de conhecer seus pais e tão pouco sabia o seu sobrenome, se é que tinha. Mas isto, agora, não tem a menor importância. O mais importante era o sentimento de amizade que nos unia e permitia, no superlativo de intimidade, tratá-lo por BOB. Bob era assim também que gostava de ser chamado.

Assim sendo, nesta hora de extrema melancolia, o pensamento não traduz em palavras o verdadeiro lamento que invade a minha alma. E diante desta ausência de vocábulos só nos resta um pífio comentário: DESCANSE EM PAZ BOB, você que além de parceiro e amigo, era também o valente e feroz cão de guarda da D. Ida, mãe do Ir. Adelar Roldi , lá em S. Roque do Canaã, onde viveu com intensidade todos os seus l5 anos.

BOB era o único cachorro do mundo que eu vi sorrir mesmo na adversidade.

Sorria Bob.

Por: Cecílio Andrade de Oliveira

VOLTAR!