Final de Campanha
A Eleição para Grão-Mestre Estadual, período 2007/2011, foi a mais acirrada na história do GOB no E. Santo. Havia quatro candidatos com potencial para se elegerem. Os Irmãos Naeme José de Sá e Américo Pereira Rocha tinham a simpatia e o apoio da situação, ou seja, do Grão Mestrado de então. Eu e o outro candidato Ir. Helio da Luz Sodré tínhamos a colaboração e o engajamento, respectivamente, da Poderosa Assembléia Estadual Legislativa (PAEL) e da Beneficência Maçônica do Estado do Espírito Santo (BEMES).

Embora houvesse respeito e “fair play” entre os concorrentes, sempre aparecia um correlegionário ou outro, criando factoides para apimentar a disputa. Todo cuidado era pouco e o comportamento tinha que ser exemplar, pra não dar munição aos adversários. Mesmo assim, ainda nos creditavam fatos desabonadores que não tinham ocorrido, objetivando cooptar alguns dos nossos votos.

A briga, no bom sentido, era boa e a busca do voto, o corpo-a-corpo, se processava com a visita às Lojas. Entretanto, havia um fator complicador a obstar o nosso objetivo: A maioria das Lojas se reúne no mesmo dia.

Estabelecemos então, uma Agenda de Visitas, começando pela Grande Vitória e na sequencia as Lojas do Sul do Estado.

Para cumprir o organograma no sul, ficamos sediados em Marataises, no camping Xodó, de propriedade do Irmão Roberto Pereira Malta, que muito gentilmente, nos cedeu um apartamento, de onde saíamos e regressávamos após as visitas.

Encerrados compromissos com as Lojas do Sul, dirigimo-nos, por conseguinte, para o norte do Estado, para cumprir a agenda em Barra de São Francisco, Água Doce do Norte e Ecoporanga.

A campanha já estava chegando ao seu final e as finanças também já estavam se exaurindo. As constantes despesas de almoço, combustíveis, lanches, além de bilhetes de rifas e bingos beneficentes que o candidato, pra ser simpático e “garantir” o voto tem que comprar, estouram qualquer orçamento. E foi com o orçamento bastante deficitário que chegamos a Barra de São Francisco e nos alojamos em um hotel condizente com a situação financeira no momento.

No dia seguinte, o Ir. Alfredo Carlos Intra, conhecido como Alfredinho, nosso fiel escudeiro, levantou bem cedo e num banheiro existente no final do corredor, cuja porta era fechada por uma taramela de madeira, fez sua higiene pessoal e se dirigiu ao refeitório para o “breakfast”.

Solicitação feita, aguardou pacientemente. Passados alguns minutos, chegou o porteiro “faz tudo” trazendo um copo, tipo americano, cheio de café e por cima atravessado, um pão de sal. Na análise do Ir. Alfredinho, o café de tão fraco parecia que o coador e o pó, já tinham sido utilisados e o pão tinha sido aberto por uma faca suja de margarina, que ao cortá-lo, num só ato, o resíduo se aglomerou na ponta.

Diante do deslumbrante desjejum, indagou:

- Isto é o café da manhã?

Sem pestanejar o Porteiro lhe retrucou:

- Por dez reais pra dormir, o que você queria?

Ensimesmado nos seus pensamentos, Ir. Alfredinho lembrou com saudade do seu tempo de Exército, no Batalhão dos Caçadores em Vila Velha, onde, pelo menos, podia comer outro pão.

Por: Cecílio Andrade de Oliveira

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