O Hábito não faz o monge
Uma Loja se faz respeitar pelo cumprimento da Legislação e pela execução esmerada da Ritualística. Ela se torna um referencial para as demais e os seus obreiros, onde quer que estejam são parabenizados e elogiados. Quando ocupamos o cargo de Venerável Mestre da ARLS Acácia Vilavelhense nº 1914, tínhamos como hábito a cada dois meses, realizar uma Sessão de Treinamento, onde todos os cargos em Loja eram sorteados.

O objetivo era propiciar aos irmãos do quadro o amplo domínio sobre as atividades e atuações de todos os membros da Diretoria, bem como dos oficiais, para melhorar a ritualística. Mesmo assim, submetidos a esse treinamento intensivo, podíamos vislumbrar que alguns irmãos tinham algumas dificuldades em exercer certas funções diferentes das habituais. Certo dia foi sorteado para ser o Mestre de Cerimônias o Ir. ALTAMIRO JOSÉ ARRUDA, também conhecido como “alegrão”. A função de Mestre de Cerimônias além de ser uma das mais importantes no funcionamento de uma Loja, substituir satisfatoriamente o Ir. Antonio Carlos Silveira, titular do cargo naquela oportunidade, era tarefa quase impossível. Altamiro natural de São Mateus, mas registrado em Barra de S. Francisco, é para nós, membros da ARLS 14 de julho, mais um da turma, que carinhosamente chamamos de “macaqueiro”. Francisquense de registro e coração, não se furtou em assumir o cargo de tamanha responsabilidade naquela Sessão.

Entretanto, mesmo sendo sessão de treinamento, era mister que o desempenho dos substitutos fosse de tal forma que a ritualística não sofresse solução de continuidade e que a Liturgia também fosse mantida. Altamiro já bastante experiente nas lides maçônicas, dispensou o Ritual e resolveu confiar na sua memória e nos seus conhecimentos. Segundo a Lei de Murphy: “Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará" ou ainda, como dizia o finado José Fernandes, jurado do Programa do Chacrinha: “De onde não se espera, aí é que não vem mesmo”. Trajando um balandrau apertado cujos botões pareciam querer saltar sobre o seu ventre ligeiramente avolumado, Altamiro teve um inicio até satisfatório. Mas quando recebeu a ordem de convidar o Ir. Orador para cumprir sua obrigação, começou o problema. Fez o seu trajeto, com andar malemolente, que lembrava o ator Mazaropi nos áureos tempos. Portava sua espada no ombro de maneira desleixada, como se fosse uma enxada ou uma vara de pescar.

A sua figura por si já era hilária e o Orador se esforçava para conter o sorriso que teimava em aflorar nos lábios. De repente veio o convite: “Oradô di ordi Du homi ali é proce abri o livro”. A gargalhada foi geral. Sepultaram de uma vez a ritualística e a liturgia. O Venerável Mestre que também estava em treinamento, disfarçou um breve sorriso e depois de alguns minutos com alguma dificuldade, conseguiu restabelecer a ordem nos trabalhos.

Em seguida, para evitar outros problemas, providenciou rapidamente, a entrega de um Ritual ao nosso Mestre de Cerimônias que foi o único a permanecer sério, como se não fosse o pivô do acontecido. Ainda bem que era uma Sessão de Treinamento e não tinha visitantes.

Por: Cecílio Andrade de Oliveira

VOLTAR!