Que Flagrante!!!!!
Ary Carlos Santos, (por motivos óbvios, o nome do Irmão foi substituído) após 35 anos de serviços prestados, honrosa e honestamente, à Secretaria da Fazenda Estadual, aposentou-se e resolveu virar campista.

Percorreu as chamadas classes sociais do campismo, começando com uma barraquinha estrutural e hoje é proprietário de um majestoso Moto-home, que utiliza constantemente em viagens por este Brasil afora.

Ir. Carlão, como é chamado pelos mais íntimos, caboclo de origem simples, humilde e que não renega o seu passado. Nasceu em Muniz Freire e foi criado em Monte Senir, distrito de Barra de S. Francisco, sob os olhares severos e vigilantes de D. Jandira e de “Seu Bastião”, os quais procuravam sempre transmitir ao rebento, a boa educação e as virtudes necessárias às relações humanas, que foram, aliás, bem assimiladas por ele, pois facilitaram a sua iniciação na Ordem Maçônica.

Passaram-se os anos e o irmão Ari anexou ao seu “modus vivendi” inúmeros outros predicados e qualidades, mas infelizmente, um defeito D. Jandira dele não conseguiu eliminar: A GULA.

Glutão por natureza, não faz distinção de nenhum tipo de alimento doce ou salgado. Aprecia também, com tamanha intensidade, uma cervejinha gelada, principalmente se estiver acompanhada de uns tira-gostos.

Certa ocasião, recebemos convite para uma Sessão Magna de Iniciação na ARLS União Mutuense 17 de Maio, do Oriente de Mutum-MG, onde o Venerável José Carlos de Souza, vulgo Tartaruga, solicitava a nossa ajuda, uma vez que, a Loja dispunha de poucos Membros.

Saímos então, de Vila Velha bem cedinho com destino a aquela Cidade Mineira. Ao chegarmos em Pedra Azul, aproximadamente às 09 horas, efetuamos aquela tradicional parada para esticarmos as pernas e tomar um cafezinho.

Ele, Ary, dirigiu-se imediatamente ao banheiro e, ao regressar, encontrou-me encostado no balcão da lanchonete tendo à frente um copo parcialmente cheio, uma cerveja e alguns bolinhos de bacalhau, petiscos tradicionais do lugar.

- Já???? - Indagou admirado.

Antes mesmo que eu pudesse balbuciar qualquer palavra, ele rapidamente, em um só gole, bebeu a cerveja que havia no copo, encheu-o novamente e procedeu da mesma forma, para em seguida, sem pestanejar, atacar os deliciosos bolinhos.

Diante da cena, fiz a única coisa que podia. Sorrateiramente, dirigi-me à saída e ainda pude ouvir uma calorosa discussão, envolvendo o guloso Ary com um desconhecido, que naquele exato momento, retornava do banheiro, para terminar de saborear sua cerveja e os bolinhos que havia deixado sobre o balcão.

Por: Cecílio Andrade de Oliveira

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