Teje Preso!!!
Dentre as várias dificuldades de um Grão-Mestre recém-eleito, a maior é compor a equipe de trabalho, pois, os Membros dos chamados Altos Corpos, por força da Legislação, não podem ser remunerados.

Durante a nossa administração, tivemos a felicidade de superar este obstáculo e conseguimos recrutar vários abnegados e competentes irmãos para ocupar os cargos existentes.

Sem ter a necessidade de nominá-los e tambem pela extensão da lista, queremos nesta oportunidade, externar sinceros votos de agradecimentos a todos aqueles que participaram do Grão-Mestrado, pela dedicação, fidelidade e desempenho elogiáveis na execução de suas atribuições.

Cada um com sua personalidade, comportamento e gênio marcantes, durante os quatro anos, além de executarem bem suas funções, tiveram, sobretudo, oportunidade de se conhecerem melhor. A integração foi possível através do convívio diário e com participação nas comitivas de visitação às Lojas, tendo em vista que, era de praxe fazer comitivas com número bastante significativo de Secretários, Deputados e outros convidados.

Certa feita, formamos uma comitiva para uma Sessão Magna de Iniciação na ARLS Dr. Idiálvaro Dessaune nº 2298 do Oriente de Piuma, à convite do Venerável de então, o Ir. ANTONIO CESAR COELHO DOS SANTOS. Como fazíamos sempre, convocamos os Secretários e convidamos alguns Deputados Estaduais. O transporte utilizado foi a “Sprinter” de propriedade e direção do Secretário de Transporte Ir. JUVENAL PINHEIRO DE PAIVA. A organização da comitiva, que era de responsabilidade do Chefe de Gabinete Ir. ROBERTO LUCIO DE CASTRO, nos avisou momentos antes da partida, a impossibilidade do comparecimento do Secretário de Administração Ir. HELIO SOARES DA LUZ SODRÉ em razão de problemas particulares.

Seguimos para Piuma, onde participamos da Iniciação e em seguida, após o jantar, embarcamos na nossa condução para o retorno. A viagem de volta transcorria normalmente, quando no contorno rodoviário de Guarapari, o Deputado HELIO VICENTE GARIBALDI, que estava sentado ao lado do motorista, solicitou que o mesmo desse uma paradinha para uma necessidade fisiológica. Diante da urgência e insistência do pedido, Juvenal procurou um lugar mais adequado para fazer o “Pit stop”. Após livrar-se do problema causado pela cerveja do ágape, Garibaldi, retornou para prosseguirmos com a viagem. Passaram-se alguns minutos e percebemos que éramos seguidos por uma viatura policial com giroflexo e sirene ligados. Sem perceber que o alvo era o nosso veículo, Juvenal continuou dirigindo não demonstrando intenção de estacionar. Ouvimos então, pelo alto-falante da viatura a ordem de parar.

Devidamente estacionados, num local impróprio, uma vez que, era ermo e completamente escuro, ouvimos novamente a ordem:

- Vocês dois descem com a mão na cabeça.

Os Policiais não tinham visto que não eram apenas dois. Juvenal e Garibaldi que estavam na frente, desceram com as mãos para cima e na sequencia os que estavam atrás, um total de 15 irmãos, todos trajando ternos pretos. Quando perceberam a existência de outras pessoas, os PMs se entrincheiraram atrás das portas da viatura, com as armas de grosso calibre apontadas em nossa direção e um graduado gritou nervoso:

- Aqui é o Tenente Fulano de Tal da Policia Militar, todo mundo com a mão na cabeça.

Neste instante, ouviu-se a voz salvadora:

- E aqui é o Coronel Dematée.

Era o Secretário de Assistência e Previdência Social LIDIO FELIX DEMATÉE que por estar sentado lá nos fundos, foi um dos últimos a sair da Sprinter. Ao ser reconhecido, Coronel Dematée ouviu um formal pedido de desculpas que foi recebido e devolvido com uma sutil e elegante descompostura, admoestando-os quanto a forma equivocada da abordagem do veículo.

Retornando à viagem e refeitos do susto, os comentários dentro da VAN eram os mais variados possíveis, levando-se em conta que, pela inabilidade dos policiais, poderia ter acontecido uma tragédia.

De repente, alguém comentou:

- Nós demos sorte do Dematée estar conosco.

E o Juvenal no alto da sua sabedoria retrucou:

- “Eles que deram sorte, pois Dematée é um cavalheiro, se fosse o Coronel Sodré iria dizer “Teje Preso” e fazer eles irem marchando até o Quartel de Maruipe”.

Reinou silencio em toda VAN , numa nítida demonstração que a comitiva estava de pleno acordo. Depois deste episódio Juvenal só viajava se tivesse um Coronel presente.

Por: Cecílio Andrade de Oliveira

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